A Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) anunciou, recentemente, uma aliança estratégica. Para isso, a iniciativa reúne três grandes empresas de telecomunicações, duas startups e três centros de pesquisa brasileiros. O objetivo central é viabilizar o uso do 5G em larga escala no chão de fábrica.
Nesse contexto, empresas e academia atuarão de forma integrada. O foco, portanto, está no desenvolvimento de software, hardware e componentes de conectividade. Esses elementos, por sua vez, servirão de base para uma plataforma de validação de aplicações industriais.
EDGE5G: conectividade e computação de borda na Indústria 4.0
Batizado de Conectividade 5G e EDGE Computing para Transformação Digital na Indústria 4.0 (EDGE5G), o projeto seguirá o modelo Basic Funding Alliance (BFA). Trata-se, assim, de uma das ferramentas da Embrapii para fomentar pesquisa experimental.
Quanto ao cronograma, os trabalhos seguirão até janeiro de 2026. Em termos de investimento, estão previstos R$ 9 milhões da Embrapii. Além disso, os parceiros da aliança aportarão R$ 900 mil adicionais.
Segundo Igor Nazareth, presidente interino da Embrapii, o projeto ampliará a compreensão sobre os impactos do 5G integrado a tecnologias avançadas. Com isso, os resultados devem beneficiar não apenas a indústria, mas também a sociedade.
Na prática, a pesquisa prevê a criação de aplicações suportadas por 5G. Em seguida, essas soluções serão testadas em uma rede privativa real. Assim, o ambiente funcionará como um testbed de demonstração da Indústria 4.0.
Como resultado, os avanços envolverão Internet das Coisas, inteligência artificial e computação de borda. Além disso, entram em cena realidade aumentada e segurança de dados. O objetivo final é gerar ganhos de produtividade em diversas aplicações industriais.
Oportunidades e desafios do 5G para a indústria
Para Gustavo Correra, coordenador do projeto pelo CPQD, o 5G oferece inúmeras oportunidades à indústria. No entanto, ainda existem dúvidas sobre sua aplicabilidade prática. Por isso, o projeto busca responder a essas questões.
Segundo ele, a iniciativa reúne competências de três Unidades Embrapii. Dessa forma, o foco está na integração de tecnologias e no teste de soluções seguras. Além disso, o projeto busca ampliar o acesso para pequenas e médias empresas.
Do ponto de vista técnico, o projeto pretende potencializar a conectividade industrial em tempo real. Entre as aplicações, destacam-se sensoriamento e coleta de dados industriais. A integração entre 5G e computação de borda é um dos pilares.
Como consequência, as soluções poderão ser aplicadas em setores de produção intensiva. Entre eles, estão aviação, cosméticos e agropecuária. Em comum, esses segmentos utilizam equipamentos altamente automatizados.
Além do impacto tecnológico, a plataforma ampliará o conhecimento sobre a Indústria 4.0. Ao mesmo tempo, fortalecerá mecanismos de validação. Com isso, espera-se maior eficiência, segurança e produtividade nos processos.
Outro ponto relevante é a colaboração entre humanos e máquinas. Por meio da realidade aumentada, esse potencial tende a crescer. Assim, surgem novas aplicações imersivas e soluções de IoT industrial.
Nesse cenário, a convergência de tecnologias disruptivas favorece a gestão dos processos produtivos. Como resultado, aumentam o controle, a previsibilidade e a qualidade das decisões industriais.
Quanto ao financiamento, o desenvolvimento da plataforma ocorrerá via Basic Funding Alliance (BFA). Esse modelo prevê recursos não reembolsáveis. O cofinanciamento pode alcançar até 90% do projeto.
Para participar, os consórcios devem envolver ao menos duas Unidades Embrapii, duas empresas e uma startup. Trata-se, portanto, de um modelo aplicado de forma inédita pela instituição.
Fomento a tecnologias disruptivas no Brasil
Por fim, o BFA busca impulsionar tecnologias disruptivas e intensivas em conhecimento. O foco está em projetos de maior risco tecnológico. Dessa maneira, a iniciativa estimula a atuação conjunta de empresas e centros de pesquisa.
Com isso, a Embrapii fortalece o desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a transformação digital avança na fronteira do conhecimento industrial brasileiro.







